Considerações Finais

8.1 (a) Introdução

Esta publicação apresentou um amplo panorama das diversas ferramentas de gestão de Responsabilidade Social existentes no mundo, que pretendem contribuir para a Evolução Sustentável e inspirar experiências em vários países.

Em geral, essas ferramentas são instrumentos de auto-avaliação e aprendizagem
desenvolvidos para atender às necessidades das organizações (de todos os setores) de orientação e incorporação de conceitos e práticas de responsabilidade
social nas diversas etapas de gestão da RSE. Portanto, abrangem as fases de diagnóstico, implementação, benchmarking e avaliação do desempenho da organização nos três aspectos da evolução sustentável — econômico, social e ambiental —, permitindo-lhes gerenciar de forma cada vez mais efetiva as relações com seus públicos de interesse e os impactos sociais e ambientais decorrentes de suas atividades em toda sua cadeia produtiva, de valores e redes de cooperação.

No entanto, apesar da diversidade, a utilização dessas ferramentas é ainda “negócio” praticado por um número limitado de organizações, sendo que muitas delas são também atores responsáveis pelo desenvolvimento dessas ferramentas juntamente com organizações nãogovernamentais, organismos públicos, associações e universidades. Esses diversos atores implicados no desenvolvimento destas ferramentas estão entre os precursores, tanto no plano conceitual como no avanço do movimento da RSE. Assim, parte destas iniciativas está ainda em fase de construção ou de experimentação, buscando a interlocução dentro do movimento de RS para legitimá-las.

Notamos que, em matéria de soluções, a gestão ambiental apresenta ferramentas mais avançadas e numerosas, com normas estabelecidas, servindo de base para a RSE.

A quase totalidade das ferramentas inventariadas não faz menção à dimensão
das empresas consideradas, nem limita o tamanho a que se destinam. Existe,
porém, um visível esforço de elaboração das ferramentas para pequenas e
microempresas.

A origem das ferramentas de gestão socialmente responsável pesquisadas é majoritariamente privada procedente em grande parte de iniciativas não-governamentais.

A tipologia observada no âmbito deste estudo parte da constatação de que o grau de interatividade (stakeholders + cadeia produtiva, de valores e redes de cooperação) e acompanhamento externo (auditoria) é hoje o fator mais importante de diferenciação dos instrumentos observados. É ele, com efeito, que determina o impacto nos recursos financeiros e humanos da organização, bem como a profundidade desta iniciativa durante seu trabalho em direção à evolução sustentável.

Por enquanto, a adoção de ferramentas de gestão de RSE/DS permanece no campo da adesão voluntária. Para uns, mais liberais, as iniciativas voluntárias
constituem uma prova tangível da vontade de compromisso das empresas; para
os outros, mais regulacionistas, elas confirmam mais a determinação das empresas
em não deixar o Estado impor-lhes novos constrangimentos legislativos ao antecipar-se a ele.

Não tínhamos a pretensão de abranger todas as ferramentas existentes, mesmo
porque o tema é relativamente recente e encontra-se em pleno desenvolvimento.
Optamos, portanto, por uma pesquisa realizada na Internet a partir de um mapeamento feito pelas várias organizações que lidam com o tema no Brasil e no Exterior. Tampouco incluímos todo o leque de ferramentas da RSE como, por exemplo, os Bancos de Práticas e Códigos de Ética e Conduta, que merecem toda a atenção das organizações por serem de inegável contribuição para sua performance socialmente responsável.

A Internet é, de fato, o local ideal e mais freqüente de distribuição das informações
dessas ferramentas, bem como de “socialização” das melhores práticas empresariais. O levantamento tentou respeitar a forma pela qual o conteúdo das ferramentas é apresentado, de modo a mostrar ao leitor um retrato fiel de como estas ferramentas foram concebidas.

No momento, não podemos pecar pelo excesso e pela euforia, desconsiderando
as importantes disfunções potenciais, ou mesmo a ausência de dados que dificultam a avaliação sobre a eficácia real de tais iniciativas. É preciso ter em mente que apesar do avanço metodológico e técnico e do número expressivo de ferramentas, estamos apenas começando uma longa etapa de remodelação de um sistema que até hoje priorizou apenas os aspectos econômicos.