Cada organização tem seus próprios desafios, externalidades, cultura corporativa, diferentes partes interessadas e sistemas próprios de gerenciamento.
A proliferação de modelos de ferramentas de gestão dificulta o entendimento e clareza dos gestores para sua escolha e utilização. Alguns modelos são complementares, enquanto outros apresentam muitas sobreposições.
Mas as ferramentas de gestão têm em comum a capacidade de ordenar o tema da RS nas organizações. Talvez seja esta a principal motivação para quem procura
um modelo de gestão: integrar as práticas de RS de forma natural, respeitando os diferentes estágios de evolução de cada organização, desmistificando seus aspectos abstratos, tornando-as, assim, uma atividade cotidiana da organização.
Ao escolher uma ferramenta, o gestor deve ponderar entre as limitações e os benefícios de sua escolha. Assim, considerará, como adequada, aquela que influencia o comportamento da organização de maneira desejável e previsível, promovendo uma mudança significativa, direcionada e monitorada, que impacta, em diferentes aspectos, seus processos organizacionais rumo a sustentabilidade do planeta.
O processo de escolha das ferramentas inicia e se detém quase sempre na reflexão sobre questões básicas¹ :
Como a organização deve posicionar-se estrategicamente diante dos desafios apresentados?
Este amplo panorama das diversas ferramentas de gestão apresentadas nesta publicação pode ser integrado na agenda do gestor da seguinte forma:
Legislação – Conformidade Legal
A legislação é um mecanismo eficiente e democrático de indução de boas práticas de RS, mesmo se sua existência nem sempre é suficiente para assegurar o seu cumprimento. Promover a criação e o aperfeiçoamento de políticas públicas, assim como cumprir e fazer cumprir a lei, propicia o avanço do movimento da RS em prol da sustentabilidade do planeta. Para os mais regulacionistas, a determinação
das organizações em não deixar o Estado impor-lhes novos constrangimentos legislativos é confirmada ao antecipar-se a eles.
Princípios e Diretrizes - capítulos 2, 3 e 4.
Os princípios e diretrizes devem estar presentes nas organizações desde o início da trajetória para a sustentabilidade, pois esses instrumentos definem o seu escopo e auxiliam no seu entendimento por trabalhar com a visão integrada da RS. Nem todos os princípios e diretrizes são adequados para as organizações mais iniciantes; no entanto, fazem parte da sua realidade e dos mercados onde atuam. Vale observar que não há uma separação tão explícita entre a legislação e os princípios e diretrizes, uma vez que a lei se fundamenta neles.
Exercício de Diagnóstico - capítulos 5 e 6.
O exercício de diagnóstico das ações de responsabilidade socioambiental das organizações auxilia na reflexão do status da organização em relação à RS e seu correspondente planejamento. A ferramenta de diagnóstico/indicadores é um ótimo exemplo de instrumento para esta finalidade. Além de a organização realizar uma auto-avaliação, oferece padrões de comparabilidade com o mercado.
Instrumentos de Gestão - capítulos 5 e 6.
Gerenciar de forma cada vez mais efetiva as relações com seus públicos de interesse diretos e indiretos — além dos impactos sociais, ambientais e econômicos decorrentes de suas atividades em toda sua cadeia de valor — é a palavra de ordem dos instrumentos de gestão nesta fase de integração da temática na estratégia de gestão da organização. Por mais que persista uma gradação ampla entre os instrumentos segundo o nível de detalhe, de mensuração e de verificação,
o grau de interatividade da organização com seus stakeholders, cadeia produtiva, de valor e redes de cooperação, além do acompanhamento externo (auditoria),
é hoje o fator mais importante de diferenciação dos instrumentos observados. A relevante formação de redes de cooperação, em que uma organização influencia
as demais e é por elas influenciada, induz à melhora contínua desse processo.
Normas e Certificações - capítulo 7.
Além das leis, os princípios e diretrizes também fundamentam as normas e certificações. Vale dizer que muitas vezes as normas e certificações tornam-se “obrigatórias” para posicionamentos estratégicos e acesso a mercados. Uma das principais forças motrizes do avanço da RS é o mercado: o maior castigo não são as multas governamentais, mas a perda de mercado imposta por um consumidor consciente e bem-informado.
¹ “Stakeholder Sniff-Test” desenvolvido pela AccountAbility.













